De que adianta estar cara a cara, quando corações se afastam e se desconhecem? Por mais dolorido que seja as expectativas que temos em cima dos outros é grande demais, ao ponto de nos cortar e recortar nosso coração. Parece-me que uma onda de surdez (voluntária) vem atacando em grande escala o mundo. Vivemos num mundo que por vezes, na grande maioria das vezes nos tampa os ouvidos, seja para não ouvir as dores que temos ou as que nossos próximos tem. Em algumas vezes soa como se fosse uma fuga interminável, um caminho tortuoso longo demais para acabar tão rápido, e são com passos lentos que andamos neste.
Precisamos mesmo de uma história tão dolorida e sofrida assim? Percebo que dia a dia somos muito bem treinados e disciplinados em aplicar a surdez parcial. Onde somente ouvimos aquilo que superficialmente nos agrada, nos refletem sentimentos de felicidade, mas será mesmo que instalamos uma configuração de perfeição plena em nosso organismo? As relações estão cada vez mais motivadas e ligadas aos interesses pessoais, como se somente importasse tudo aquilo que ganhamos agraves dessas. E eu sempre me questiono aonde é que ficam os batimentos cardíacos dessas linhas tortas? Quando que essa história bate dentro de um peito? Quando que ela arranca o ar que estava dentro dos nossos pulmões? E a transpiração? E a adrenalina? As reações bioquímicas do nosso corpo, cadê tudo isso? Onde está o que somos?
Seriamos, nós seres humanos, uma espécie que se completa em conhecer apenas uma parte de tudo que somos? Concentramos-nos em apenas naquilo que reluz luz e aparenta ser maravilhoso. E ainda questiono, de que adiantar estar de frente para um grande sonho e não realizar só pela aparência deste não ser maravilhosa para a sociedade? Às vezes perceber é muito pouco, é preciso sentir, viver e se comover para tomar consciência do mundo e suas trilhas.
Gostaria que o mundo fosse um pouco mais sensível com nossos sentimentos, apenas isso.

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