E cá estou mais uma vez escrevendo sobre o amor e a dor que ele traz consigo (vocês devem estar cansado de me verem escrever apenas sobre isso , né?). Hoje decidi mudar o rumo, chega de falar do amor, de alguém que esbarra em você e com a maior lábia te engana. Hoje e só por hoje decidi falar sobre outra relação, algo mais intimo e um tanto mais próximo de você. E pensando nisso, nesses últimos dias me vi e senti preso a questão, de que como alguém que foi um ser indispensável para o seu nascimento, pensa naquela pessoa que doou 50% de dados genéticos pra ajudar na sua criação e como pode essa mesma pessoa do dia para a noite (duvido eu que seja do dia pra noite) falar declaradamente, que tanto faz o que você pensa, sente ou deseja porque no fundo tudo isso são bobeiras, comumente conhecido pela seguinte frase “ tudo isso é pouca bosta”. Como isso?? Meu! Como pode? Por mais que eu queira distorcer essa realidade, se tudo isso está na minha cara! Como? Puta que pariu! E pelo visto, vou começar a semana com algo que realmente me intriga esse comportamento narciso e egoísta. Pensando e pensando so
bre... e claro observando também...
bre... e claro observando também...Qual é a logica pensar que alguém possa por um milésimo de segundo deixar seu eu de lado ou se colocar em segundo lugar e deixar o próximo no trono, em primeiro lugar?Por que né? Nada melhor que eu mesmo nesse trono, eu falo você escuta e depois bem depois ai sim você conversa com as paredes ocas. Ciclo vicioso esse não? Seria natural? NÃO! Eu acredito, não. Foi aprendido (99% de certeza). Beleza, eu falo o que eu quero e as vezes até grito – mas e o outro o que acontece com ele?
Estava eu delirando mais ainda sobre esta questão e meio que conclui absurdamente com outra pergunta. Será que realmente ele fala com as paredes? Ou a única explicação mais plausível é a de que o outro seja oco e vazado (claro, precisa ser vazado porque aí o meu conteúdo nunca fixa, transformando-o em mim ou eu nele, ou algo muito louco assim). E não parei por aqui delirei mais e me veio à imagem de uma semente. Isso mesmo uma semente, porque é bem por aí o ser oco é apenas um vaso (de preferencia vazio), você traz seus conteúdos (no plural porque são tantos que chegam a se assemelharem com os agrotóxicos) e eles atuam feito terra, adubo e água no vaso. Imaginando que carregar tudo isso seja um tanto doloroso e até pesado, você chega no vaso e joga tudo lá, e claro que como todo conteúdo tem uma carga emocional e com ela há lágrimas, que irrigam seu plantio.
Enfim você tem todos os ingredientes para plantar sua sementinha e não se esquecendo de que você cuida dela assim de uma forma que requer muito cuidado e amor, forçando-o a serem extremamente amoroso e cuidadoso que chega ao ponto de assustador assistir essa cena (para menores prejuízos dispenso todos e quaisquer comentários sobre). Com o passar do tempo à semente junto do seu cuidado, dá vida a algo parecido com uma pequena mudinha. Que legal tanto trabalho e esforço gerou algo, ai como todo ser humano na sua completude é super inteligente e intuitivo (não sei da onde surge a crença da inteligência vir da intuição, mas enfim sem menos...), o que ele faz? Isso mesmo continua com seu super programa de cuidados (Super mesmo, tão genial que de vida a uma plantinha). Que máximo né! Até o momento que essa linda e fofa mudinha criada por uma pessoa que tem um dom divino, percebe que ela também tem vida e controle sobre ela. Aí sim o caos está instalado, pois agora ela é uma sugadora feita uma planta carnívora.
E como ela se torna algo devastador, a tendência do ser humano politicamente e eticamente correto (baseado na sua própria moral) se afasta da “venenosa”, isso quando não tenta mata-la.
Taí uma das coisas que mais me intriga é essa intolerância à frustação, engraçado que toda frustação vem carregadas de pulsões de morte (num plano que eu discordo com Freud – acho que vem num plano consciente). Por que tipicamente é tão comum e previsível quando uma pessoa se encontra insatisfeita com algo ou alguém insistir até a morte suas próprias ideias e convicções a ponto se preciso caso a situação fique ameaçadora utilizar de ameaças, fazer uso do poder e até mesmo usar da violência para sua legitima defesa. E claro que não poderia me esquecer, de que essa incompetência da sua parte e não da minha (é óbvio) é culpa de fulano, de ciclano ou até mesmo de beltrano. Perceba que esse movimento acontece por mera defesa e esquiva de sabotar sua porcentagem na criação dessa planta carnívora. Pois você só fez sua parte em lhe dar cuidados e zelos.
Sabe quanto mais penso sobre, cada vez mais percebo a presença do egoísmo humano pra todo lado e em todos os momentos. Será tão difícil admitir sua participação nesse processo e também no resultado. Será? E é assim que a grande maioria das pessoas (cerca de 99,99% da população) fazem conscientemente ou inconscientemente ( e saber por qual via isso rola, não veem ao caso) e mais louco é ouvir “eu não sou culpado”. Para TUDO! Pensa num casal que termina um relacionamento (consideravelmente um relação linda), após o termino ambos irão buscar no outro ou situações com aspectos negativos para assim justificar o rompimento; ou até mesmo quando o (a) filho (a) faz algo que é contraditório aos desejos dos pais, eles (os pais) logo de cara vão buscar algo ou alguém culpado. E é assim também que acontece nas outros milhões de possibilidades de situações.
E hoje somente hoje eu proponho a você pensar como você quanto todo o resto do mundo é culpado por todo e qualquer momento, seja ele bom ou não. Seja uma antítese e tente quebrar por um minuto esse distanciamento de si em relação a sua neutralidade das consequências. Por maior que seja o leque de possibilidades não descarte nenhumas delas, pois o mundo é grande demais, as horas são mais extensas que seu organismo há de aguentar sem oscilações biológicas e psíquicas a fim de conseguir armazenar todas as informações mais puras possíveis e religiosamente desligadas dos seus desejos. HÁ! E antes que me esqueça, nenhuma investigação termina ou é concluída, o que acontece é se obtêm possibilidades que possuem maiores possibilidades de serem fidedignas e puras. E até mesmo quando as tiverem, jamais descarte a possibilidade de você ser ou não parcialmente culpado.